
Naquela noite tudo estava tão claro,
era o último cigarro.
As garrafas de esquecidas
e as mentiras que restaram
foram deixadas junto as cinzas da memória.
Eram três notas musicais
e estava tudo em seu lugar.
Filosofia, loucuras, imagens e afins técnicos de uma mente sem respostas.

E repetia sempre a mesma frase: “entrou pelo cano…”
Era uma manhã como outra qualquer e Miguel caminhava pelo centro da cidade absorto em seus pensamentos. Aquele povo provinciano da pequena Divinópolis já tinha seu pensamento formado sobre aquele estranho e mal vestido “ser”.
Naquele dia nublado Miguel parecia estar mais inquieto que o normal. E continuava a repetir: Entrou pelo cano,entrou pelo cano,entrou pelo cano... O padre que passava ao seu lado poderia até ter errado a mão com que fazia o sinal da cruz não fosse tamanha a sua Fé, o açougueiro teria perdido alguns dedos não fossem seus anos de prática repetindo incessantemente o mesmo movimento, a velhinha que atravessava a rua voltando da feira chegou a largar suas compras, pasma com o que ouvia.
Algo era estranhamente assustador naquela cena que tantos estavam acostumados a presenciar todos os dias.
O que tinha naquele homem? O que assustava tanto as pessoas naquele momento? E continuou a repetir: Entrou pelo cano,entrou pelo cano,entrou pelo cano...
Ao fim do dia Miguel entra em sua casa, senta-se confortavelmente e sua poltrona, abre uma lata de coca cola, liga seu velho super Nintendo e aproveita suas incansáveis noites de insônia ao divertidíssimo Super Mario World. E assim continuou a entrar pelo cano.
Descobri que a vida leva apenas cinco minutos. Os amores que duram para sempre levam os mesmo cinco minutos. Talvez aquela música que lhe traz a pessoa querida nem ao menos precise destes cinco minutos. Aquele sentimento que levou anos para construírmos, destruímos em cinco minutos. O amor que reprimo a tanto tempo, posso declarar nos poucos cinco minutos.

Eu estava sonhando... Ou talvez tenha sido uma memória a muito esquecida. Um sonho... Uma memória... Coisas lembradas quando se está dormindo... Coisas esquecidas quando o outro está acordado... Onde as camadas mais profundas da memória de um, tornam-se as camadas mais externas dos sonhos do outro... Qual é a realidade? Quais são as ilusões? Um não pode dizer até que o outro desperte... Ou talvez eles sejam, ao mesmo tempo, ambos; Verdade ou ficção... Uma vasta nebulosa... Sem limites ou fronteiras... Um completo vazio equivalente a minha própria existência... Eu sonhei este sonho... Um longo e eterno sonho.


Chorei porque a canção que eu fiz já andou Você ainda não entendeu quem eu sou
E eu continuo cantando pra você
Chorei de arrependido por não ter dito pra ti
Que aqueles versos simples que eu escrevi
Era a resposta do que você perguntou
Você para mim foi como um raio de luz
A inspiração dos versos que eu compus
Que a cada dia me dão forças pra viver
Você foi quem deu à minha vida mais sentido
O tempo passa tudo será esquecido
E eu continuo lutando por amor
Aqui eu continuo morando eu morava
Trabalho ao dia mas à noite estou em casa
Na esperança de encontrar a tua carta
Aqui talvez não cruze nem a pomba mensageira
Para dizer se você ainda está solteira
Ou já tem outro ocupando o meu lugar
Nós, nós que guardamos entre nós tantos segredos
Dizer que amava eu tentei e tive medo
Porque a emoção embargou a minha voz
Nós, nós que aceitamos o que o destino desfez
Mas eu preciso te encontrar mais uma vez
Há tantas coisas que eu preciso te dizer.


Algumas horas atrás me sentia o dono do mundo. Agora sou apenas um camundongo desprezível.
Nem tudo oque eu faço precisa ter um porque. Nem tudo oque eu penso necessita de um sentido.Pois nem toda a morte é um fim e o meu início nunca teve um sim.
Como também nem todo o sexo prescisa ter amor e em olhares eu nem sempre vejo dor. Existem respostas que surgem sem as perguntas, desenhos que surgem de rabiscos e frases que aparecem sem eu ter as idéias.
Nisso entram os segredos que não precisam ser guardados e as lembranças que vem sem eu sentir saudades. Estar preso e mesmo assim ter liberdade. Ficar calado sem estar em silêncio e chorar sem derramar lágrimas.
A felicidade que não precisa de sorrisos. Sentir sem deixar transparecer e ter medo sem estremecer. Entrar por uma porta e estar do lado de fora, beber água e e não matar a sede, tocar no fogo e não se queimar. Ouvir uma música e não se emocionar. Assim como agir e nem sempre pensar, estar contigo e não poder te tocar. Caminhar e não sair do lugar, procurar e não te encontrar. Estar aqui e não pode voar são como as palavras que escrevo e não consigo falar...
Quando fazemos amor com uma mulher, vimo-nos por causa da paixão. Quando fazemos amor com uma mulher por muitos anos, vimo-nos por causa da fricção. A paixão é luxúria idolatrada pelo frêmito. O frêmito com o tempo é reduzido a cinzas, e o que resta é uma luxúria insignificante, uma contribuição inevitável à fisiologia. Só depois de algum tempo é que eu percebi até que ponto a paixão é espiritual. A alma perde o frêmito, que só se obtém através da novidade. Lutar pela novidade é o mesmo que lutar pelo conhecimento. Se o conhecimento é pecaminoso, então tudo o que é novo é pecaminoso. É por isso que a força dos laços familiares se baseia na tradição e no costume antigo. A intrusão da novidade, do novo conhecimento no namoro, só o destrói. Cada adultério é uma renovação do pecado do conhecimento. Com o tempo, a espiritualidade do frêmito pela nossa mulher não desaparece, transforma-se em filhos, transforma-se na alma da criança. Talvez seja por isso que a Igreja Católica, embora ciente de que o frêmito desaparece no casamento, considera a cópula pecaminosa se não tiver o objetivo de engravidar. Esta proibição prolonga a vida da paixão, porque o período de continência é tão longo que, quando os esposos caem avidamente nos braços um do outro para conceber um novo bebê, o tédio é esquecido e o frêmito revive. Dali a um mês ou dois, o frêmito desaparece outra vez e é substituído pelo hábito, mas nesta altura a mulher está outra vez grávida e a cópula tem de parar, de acordo com a proibição.
Natal. Dia 25 de dezembro. Nascimento do "salvador". Chegada do Papai Noel... Tantos nomes poderia estar atribuindo a esta data agora que fariam cada um de vocês ver o natal de uma maneira diferente. Também poderia explicar o significado pagão e muito mais antigo do que essa data cristã que o mundo conhece e comemora. Não, acho que não é necessário. Só queria deixar aqui uma única pergunta e, por favor respondam quem se der ao trabalho de ler: Oque é o natal para você? Dia santo? Feriado cristão? Reunir a família? Dar e ganhar presentes? Talvez mais uma data corrompida e transformada em meios práticos de gerar lucros que o capitalismo instaurou? Sei lá... Talvez pelo fato de ser criança e aguardar Papai Noel com ansiedade há alguns anos deixavam essa data mágica. Aquela antiga mensagem de paz, amor e solidariedade não era tão importante para a época que apenas trazia alegria. Mas o tempo passa, as crianças crescem, o mundo se molda de uma maneira diferente da qual sonhamos e víamos quando ainda estávamos aprendendo sobre ele. E agora, esse falso moralismo, essa hipocrisia e esse apelo todo que os meios de comunicação fazem em volta disso, serve apenas como máscara para esconder coisas mais profundas, problemas empurrados para debaixo do tapete da sociedade e soluções que continuam insolúveis em nossas mentes pouco evoluídas. O mesmo bom velhinho que há alguns anos eu aguardava avidamente, o mesmo que depois de entrar pela chaminé de minha casa e deixar os presentes subia em seu treno e voava com suas renas de volta ao Pólo Norte no fim do natal, esse mesmo Noel da minha infância feliz e sem preocupações, ontem encontrei bêbado e caindo pelas ruas da cidade. Oque será que mudou? Ele cansou de entregar presentes, precisa de férias ou pode ser que mereça seu porre depois de tanto esforço? Não, o mundo continua o mesmo que eu conheci há anos mas agora, quem mudou fui eu, foi a maneira de ver as pessoas, de viver a vida. Então como defino o natal? Manipulação? Aceitação? Cultura? Respeito? Também não posso dizer... Quero apenas que reflitam e cheguem a suas próprias conclusões para que dá próxima vez, nessa mesma data, quando olharem para alguém a quem amam de verdade, possam ter a certeza de estar desejando realmente um "feliz natal". Uma saudação onde se deve saber que as palavras são meros instrumentos para demonstrar algo maior, algo que enquanto a boca expressa apenas o coração pode sentir. Feliz Natal e boas festas!